O amor diverge do prazer pútrido e psicologicamente inexplicável
de quem transa com a morte, personagem direto desta história. Antonio vive num
paraíso inexpressivo, paradoxalmente perturbador, com os cadáveres a que chama de
‘’meus’’.
Joana dos Reis morreu com
blue
waffle e não podia ser mandada a outro lugar senão ao necrotério de Santa
Euliça, para, lá, sentir o que, em vida, não sentiu.
Eram duas da manhã e a essa altura
Antonio já havia sentido a extremidade da morte. Ele gostava do cheiro podre
que os corpos exalavam, dos fluidos que liberavam e da situação de
vulnerabilidade a que estavam submetidos, ‘’todos
para mim’’.
A penumbra lá fora era grandiosa e
dava luz às ideias daquele homem. Tirou a roupa e se pôs em cima do defunto. A
vagina tinha uma quantidade enorme de feridas e pus que Antonio não podia
deixar de lamber e penetrar com dedos de mãos e pés... alheios. É que havia
mais corpos naquela sala e ele debruçou uma mulher sobre Joana, tomou seus
membros e os inseriu nela... Obscuro, as
sombras estão me rodeando e eu não vejo nada além do misto entre luz e sua
ausência...
– Quem se preocupa com isso? Ela está
gozando junto comigo, olha.
É o que fala dentro. Num revirar de
olhos sinistros o conjunto mortal de Joana era penetrado vagarosamente e só
havia a claridão daquela sala testemunhando tudo. O mesmo teve um reflexo que
só melhorou a situação para Antonio... Excitado, ereto e emputecido jogou-o de
uma só vez no chão. Fodia mais e mais.
Aquela noite ia ser ainda mais longa.
Antonio guardava ácido sulfúrico no
armário pessoal. O homem tirou o sapato do pé direito, jogou uma pequena
quantidade no dedão de seu pé e rapidamente o inseriu na vagina de Joana,
penetrando a deformidade concomitante do grito que oscilou pelo lugar onde um
só trabalhava.
Seus gemidos embalaram os passos de um
intruso no corredor. Teve que recolocar os cadáveres em seus respectivos
lugares e se enfiar num armário de produtos de limpeza. O guarda externo fazia
ronda pelo que também era um hospital e ficou longe de um triz para perceber o
que se passava ali.
Antonio precisava de mais, precisava
saciar sua fome de alma e carnal. Juntou as duas macas, era hora da penetração
anal de punho, ‘’eu vou dar todo o meu
amor para vocês’’.
A cada estocada as chagas externadas
de Joana aumentavam de tamanho e largura. A sala toda fedia como se houvesse
alguém em decomposição. Após isto, Antonio se levantou e urinou na boca na
segunda mulher.
Lembrou-se de que tinha um pequeno canivete guardado...
Buscou-o e arrancou o olho direito da mesma.
Pegou-o na mão e o levou até a vagina
de Joana. De uma inserção seguida de mais estocadas, o órgão sumiu dentro
daquela cavidade fétida.
A doença ginecológica de Joana já se
encontrava perto de seu ânus, por isso não defecava há dias. Como não havia
esforço para prender o que tinha de sair, e Antonio entendia daquilo, o corpo
desprendeu uma leva enorme de fezes moles. Nessa hora enfiou o pênis e sentiu o
excremento adentrar sua glande.
Ainda gemia e revirava os olhos quando
achou que estava satisfeito, mas...
– Aaai, aaai! – Antonio ouviu um forte
apito dentro de sua mente. Dessa vez aquilo não ia passar.
O vidro com ácido sulfúrico estava no
chão. Uniu-se, rosto e corpo, mente e
alma, e derramou todo o conteúdo da embalagem sobre si. Quando o enfermeiro matinal chegou, encontrou corpos com as
partes de cima derretidas. Começou a sentir algo diferente.