quarta-feira, outubro 10, 2012

Primeira Análise Fragmental Multiangular: ''O Sétimo Selo''

Ingmar Bergman, Suécia, 1957
Um novo modo, aqui no Blog, de interpretar cinema.

Contém SPOILER: detalhes sobre o final e outros. Se não assistiu, recomendo que visite outras páginas deste Blog.


(Personagens principais)
Antonius Block — Max von Sydow
A Morte  Bengt Ekerot 
Jof  —  Nils Poppe
Jons — Gunnar Björnstrand
Mia — Bibi Andersson
Jonas Skat — Erik Strandmark

O cavaleiro que volta das cruzadas (séc. XIV, Idade Média, era apocalíptica) e narra uma passagem do livro de Apocalipse. Presenciara a peste culminando em suas batalhas e, por isso, sua fé em Deus se encontra abalada.


É preciso contextualizar a obra. Transcrevo abaixo o momento em que São João, após ser arrebatado em espírito aos céus, presencia a abertura do livro selado com sete selos (Apocalipse 8:1):

A abertura do sétimo selo. Os sete anjos com as sete trombetas; as quatro primeiras
  1.  E, HAVENDO aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.
  2. E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.
  3. E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.
  4. E o fumo de incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus.
  5. E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos.(...)
 Como se vê, a abertura do sétimo selo é o alicerce para o início da destruição.


A Morte surge para levá-lo, mas o cavaleiro não está espiritualmente preparado, portanto propõe-lhe uma partida de xadrez, como forma de decidir seu destino – ou o de sua vida. (Há pausas na partida para resolver contratempos que a Morte concede a seu adversário e potencial escolhido.)


Somos então apresentados aos atores que montam e encenam espetáculos para uma plateia não muito contribuinte (‘’Acho que eles não gostam de arte’’).


Jof é um visionário, e importa seu dom por vermos que é o único capaz de presenciar os vislumbres resultantes da catástrofe.

A Igreja interrompe com a crucificação de indivíduos com a peste, sob o argumento de que são as causadoras, estão cometendo pecados que as levarão ao juízo final, sem direitos sobre o arrebatamento.

Não somente, estes achavam que Deus estava punindo-os pelos seus pecados, por isso se autoflagelavam. A influência da Igreja é clara e direta.


– O cavaleiro e seu vassalo ficam amigos dos artistas e os convidam para seguir viagem, pois a peste ruma para o sul, e é em Elsinore que acontecerá um festival do qual os segundos querem participar.

– Os atores observam, escondidos e atônitos, o jogo entre Antonius Block e a Morte e, apavorados, decidem fugir daquilo que seria seu fatal destino – pois mais tarde a Morte levaria todos os outros consigo, numa dança macabra (sem surpresa). Dödsdansen.


Questões acerca de O Sétimo Selo
  • Religião; ideais religiosos e sua ausência;
  • Crença na ação da Morte;
  • Juízo final;
  • Existência divina;
  • Que importância tem os seres humanos para Deus.

Tendo como foco a ação da Morte, as Escrituras Sagradas estão em jogo para justificar a causa do male que se abate contra aquela população, portanto, a ira de Deus (questão principal).

Mas, Det Sjunde Inseglet (no seu original), vai além, partindo para questões existenciais e culturais:

Existenciais — nossas ações na Terra: o que fazemos (ou não), e isso agrada a Deus?
Culturais  pois ‘’eles não gostam de arte’’ e o conhecimento que se tem da Bíblia.

Ao final, ficam-nos reflexões como: a ação e o juízo que a morte faz da humanidade; quais são os critérios que ela, como detentora majoritária da vida, usa (se é que usa) para escolher suas próximas ‘’vítimas’’?

Se arrastarmos a questão para a vida, questionaremo-nos se a realidade confunde-se com a ficção (e/ou até que ponto isto acontece) – pessoas de todas as idades morrem, por várias circunstâncias e motivos –?

E a morte, pertence estritamente ao lado do mal, uma vez que aqui age sem precedentes, orientação e comando divinos?

Opinião expressa/pessoal: Nunca imaginei escrever sobre um filme como esse. Não é tão complexo quanto eu achava, mas nem por isso vazio de questões. Merece mais que prestígio e consideração.

Pra cima!

segunda-feira, agosto 20, 2012

Último Retrato



Direção: Abelardo de Carvalho (2009)
Informações: Porta Curtas

A morte, por um fotógrafo que anseia sair da visão comum acerca dela, e crianças.
Pegando emprestadas falas do vídeo, um fotógrafo que deseja representar o irrepresentável quando a parte que é misteriosa e encanta recobre a vida de quem perdeu um ente querido, talvez reverenciando o desconhecido.
Veus, túnicas e o fim da vida... O único destino de que todos temos certeza: todo rosto se apagará.

– Mas por que afinal me fotografas?  pergunta uma das crianças.
– Por quê? Pra mostrar como uma simples imagem pode estar a serviço da memória?

''A câmera não tem senão um olho: a lente. Só pode registrar um fragmento do mundo visual.
O fotógrafo leva com ele um segundo olho: o da seleção.
O artista tem ainda um terceiro: o da imaginação criativa. Este terceiro olho é o que pode penetrar no nosso mundo interior''.

Opinião expressa/pessoal: Causa ausência temporal de fôlego e não é nada superficial.
Pra cima!

segunda-feira, julho 30, 2012

Destino: São Paulo

Percorrendo várias zonas, enfrentando o caótico trânsito, cumprindo quase todas as exigências da programação, assim foram as melhores férias da minha vida. Como costumo dizer, de que importam os defeitos de alguém ou alguma coisa se a parcela mór for de qualidades? 
São Paulo, como todas as outras, é perigosa, arriscada, mas miscelânica, incomparável.

Foram dezenas de viagens; foi o puro divertimento mais o brilho nos olhos...

18/07  Estação da Luz

19/07  Parque do Ibirapuera

20/07  Museu da Imagem e do Som (MIS) [Exposição Mais Amor em SP, térreo] 
Eu deixando minha marca na parede do Museu. A pergunta era: ''O que você mais ama em São Paulo?''

Exposição Georges Méliès, o Mágico do Cinema – 2º e 3º andar
É, o MIS construiu um espaço especial pra quem quisesse assistir à sessão de Viagem à Lua

quinta-feira, julho 19, 2012

Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
 É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
 Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
 A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Avenida São João


Iniciando minhas férias de julho/2012 num tour pela minha cidade natal, São Paulo, acompanhado da minha gauchinha Carol, aqui comigo. Ah!, e como tem coisa boa no Mercado Municipal; e como é linda a Estação da Luz em qualquer hora. Mais paz, mais amor, mais felicidade, mais carpe diem. Pelo que há de bom, saúde a nós! Férias inesquecíveis, JÁ COMEÇOU...
+ Sampa, do Caetano.

sábado, julho 14, 2012

Inverso

Já sou eu quem decide fazer e tirar o máximo de proveito da minha vivência. Ensandecida pela possibilidade de um dia voltar a enxergar; mas sei que é impossível. Não adianta fé – eu tenho, e assim me contradigo. Paz interior. No momento, maravilho-me pela existência e a cada belo dia (de céu limpo/cantado pelos pássaros), ou não (aqueles escuros, que sugam sua energia; que dão vontade de enrolar-se num cobertor com pipoca e refrigerante... Talvez chorar? Você acha: ‘’que dia lindo para se suicidar’’), levanto-me, erguida, prosseguindo o que me foi dado.

E que os dias ruins e as crises de choro desçam pelo mais profundo e possessivo ralo, para que eu, assim, possa continuar a ser feliz. Pois enquanto choras, não sendo emoção o motivo... Digo, não exagere no ato.

Apalpo tudo o que tenho pela frente. Decido ir ou ficar, experimentar ou continuar receosa ao gosto que pode ter, deixando de fazer. Independo do sentimento que destroi-nos por dentro.

De outubro, época do meu aniversário, a janeiro, época da saída do velho e entrada do novo, sou banhada e vejo repassar alguns dos importantes e mais felizes acontecimentos do ano.

Paz interior. Sorrisos. Gratificação. Abastecimento. Fortalecimento. Querer. Superação.

Saiba que há uma vida lá fora para se viver. Isto está como uma informação plantada num microchip em nossa cabeça, porém você, atingido, parece não o saber. Rasteiras não devem desanimar, o tempo entrega tudo! Agora, se achar tão sacrificante e difícil, pense em mim.

Da monotonia, renascimento. Deitada, trespassando as horas... Até que levantei com a visão do jeito costumeiro, sacudi meus olhos intencionando me livrar de não sei o que, e percebi que podia enxergar.

Pelo novo viver, a prece aos mortos foi eliminada.
 
Penso que não cegamos, penso que estamos cegos,
Cegos que veem, Cegos que,
vendo não veem(Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago)
cegos que, vendo não veem
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