sexta-feira, abril 27, 2012

Anteriormente Six Feet Under

Tive um sonho essa madrugada, a princípio estranho. E acordei com ela na cabeça, tocando sem parar. Curiosamente a música fala sobre sentir-se bem: ''Peixe no mar/Rio correndo livre/Isso que eu quero dizer!/ E eu acordei me sentindo bem!

Só sei que Feeling Good é a trilha sonora da semana.
Faixa 9 do vol.2 - soundtrack Six Feet Under (!!): Everything Ends.


Sleep in peace when day is done
That's what I mean
FREEDOM::LIBERDADE (2:06)

quinta-feira, abril 26, 2012

O perfeccionismo ajudando e atrapalhando

Cresci ouvindo das pessoas que demoro muito pra fazer tarefas no dia a dia, e nessas me desatinei a falar que sou perfeccionista; mas sempre foi da boca pra fora...
Hoje estou convicto de que realmente sou. Não que tenha sido difícil admitir, era falta de certeza.

Acontece que tudo tem de ficar perfeito, sempre. A partir do que eu sei.
Às vezes me pego durante horas fazendo alguma atividade, como escrita, pesquisa ou até montando slides pra algum trabalho de escola. Aí está o ponto.

Já cheguei a passar horas na frente de um computador editando vídeos sobre reciclagem e sustentabilidade. Mais horas montando slides de P.P. até chegar onde eu possa falar: ''agora sim''; tudo perfeito. Lógico que nem sempre.
Então ser perfeccionista tem seus muitos bons pontos. É garantia de coisa bem feita, no capricho, tudo com muita dedicação, até porque, para nós [perfeccionistas], não é nenhum sacrifício.

O lado negativo é exatamente o de perder/gastar horas que eu poderia estar fazendo outras coisas.
Por fim, entregar uma tarefa a ser cumprida para um perfeccionista é quase garantia de algo bem feito no final, isso se o tal alguém estiver apto a cumprir, na minha humilde opinião e conhecimento próprio de causa.

domingo, abril 08, 2012

Impressões sobre Cisne Negro

Post inaugural pra falas de cinema aqui no RDL, pessoal!

Usando o pouco que sei da sétima arte, dissertarei sobre minhas percepções, o que senti assistindo ao filme de referência e alguns outros detalhes técnicos.

Lembro novamente: este texto é totalmente pessoal; mas isso não impede você de comentar ou sugerir, dando a sua opinião acerca do assunto.

Contém SPOILER: detalhes sobre o final e outros. Se não assistiu, recomendo que visite outras páginas deste blog. 


 
Muito se ouviu falar de Cisne Negro, que praticamente trouxe consigo milhares de fãs, sem contar as premiações a que foi indicado e as que recebeu, em suma.

Do mesmo diretor do perturbador Réquiem para Um Sonho, Darren Aronofsky nos extasia com sua nova – que eu considero – obra-prima.

Natalie Portman vive Nina, bailarina da companhia que quer remontar o clássico Lago dos Cisnes. Manipulada pela mãe superprotetora – desde a primeira cena, percebemos o quanto a personagem é infantilizada e meiga ao extremo de uma criança – e em busca da perfeição na dança. Escolhida para interpretar a Rainha Cisne da peça original de Tchaikovsky, teria de viver os dois lados da moeda: bem e mal; pureza e sedução; cisnes branco e negro.


Você fica tão vidrado naquilo que, perdido, pergunta-se: ‘’o que tá acontecendo com ela??’’. Algo notável é o balanço e – o que eu chamo de – agito, vibração da câmera, principalmente nas cenas de dança. É isso que impulsiona nossa entrada para dentro do universo de Cisne Negro, juntamente com a fantástica trilha sonora, que conta com uma nova montagem do balé do Tchai, magnificamente nos afligindo e deixando-nos tensos à espera de não sei o quê. 

A parte clichê fica para os sustos, que são previsíveis. O desenrolar dos acontecimentos se dá lentamente enquanto estamos lá, afortunados por poder acompanhar Nina em seu surto psicótico. Lacunas serão preenchidas de acordo com o seu entendimento do filme.

Li por aí que a transformação de BRANCO pra NEGRO, no ato final, entrou pra história do cinema como um dos momentos mais belos. Não tiro nem ponho!

Aquele que ARRANCA da sua boca: ''é por isso que eu amo cinema. Essa obra beira a perfeição!''.
Assistir e querer de novo é fato.


quarta-feira, abril 04, 2012

69 - Praça da Luz


Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

POSSO FALAR?

''Um dia desses tinha um boyzinho, de 18 anos de idade, ele chegou pra mim e perguntou pra mim assim: 'quantos anos cê tem?' Eu falei assim: 'venha cá, você vai foder comigo ou com a minha identidade?'''

Direção: Carolina Markowicz, Joana Galvão (2007)
Informações: Porta Curtas

Opinião expressa/pessoal: Engraçado, mas que acaba por se fazer respeitoso.

sábado, março 24, 2012

Ilha das Flores - o doc fala por si só



Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

Direção: Jorge Furtado (1989)
Informações: Porta Curtas

domingo, março 18, 2012

Resenha crítica: Capítulo XII - O Mundo Coberto de Penas

Vidas Secas, livro lançado originalmente no Brasil em 1938 (composto por dezenas de páginas, distribuídas por treze capítulos), foi escrito pelo romancista Graciliano Ramos e polemizou ao descrever a situação do povo nordestino em sua mais sincera e exata realidade: mazelas desmascaradas publicamente. A 2ª fase do Modernismo, chamada de regionalista, era o momento literário predominante na época. Uma das mais importantes obras da literatura brasileira até hoje.

Tratando diretamente do prenúncio de chegada da seca, tendo como sinal claro e direto as arribações, o capítulo exalta, alternadamente, as virtudes de Sinhá Vitória, que dos personagens adultos da obra, era a única com algo de valor: sua capacidade de calcular – neste caso, o quanto Fabiano deveria receber de seu patrão, contestando, assim, a falta de moralismo e honestidade do mesmo. E a capacidade perceptiva que possuía. Possivelmente, Sinhá Vitória é a personagem que mais tem tempo para pensar/raciocinar dentre todos, pois enquanto Fabiano trabalha o dia todo e dorme à noite, ela permanece em casa cuidando dos afazeres domésticos – e somente; os filhos não são educados, sabendo-se que há um distanciamento enorme entre cada membro da família, sendo eles somente repreendidos quando preciso, e quando não também – por isso conseguia atestar verdades. (Destaca-se a apreensão inteligente da personagem Sinhá Vitória, que percebe que os urubus matavam o gado, e fala para Fabiano, que o entende erroneamente; mais tarde é que vai perceber que, indiretamente, os gados morriam pelas ‘’mãos’’ das arribações (temos aqui mais uma prova da sabedoria dela).

Onde Fabiano também tem lembranças amargas da cachorra Baleia, e, portanto, algumas visões (e previsões, com base no próprio conhecimento de causa) realistas do futuro – ele sabe que logo terá de partir com a família em busca de um novo lugar para viver e se reconstituir; chama Vitória para tomar em conjunto algumas decisões, tentando aprontar o máximo possível de abastecimento nutritivo – aproveitando, inclusive, os urubus que havia matado.

Em certo ponto do capítulo, pensa infeliz no soldado amarelo. Temos aqui um claro e grandioso ponto de conformidade por parte do personagem, onde aceita novamente que seja pisado e humilhado, afinal é só um cabra, um bicho, não um homem de verdade.

Graciliano Ramos expõe os sertanejos de forma cruel, direta e objetiva. Até mesmo porque a realidade em que vivem não permite que seja de outra forma; a linguagem é seca, escassa, como a terra em que habitam.

A intenção pode ter sido estabelecer o caos, ou apenas dar continuidade à história (mesmo sendo de enredo não-linear), mas a verdade é que acabou por transportar ao leitor sensações estranhas: entre melancolia e aflição, somos submetidos ao mais frio cárcere emocional. Chega a ser impossível não visualizar pássaros mortos esvoaçando e penas espalhadas pelo chão da caatinga; estrebuchando, enquanto ficam à mercê da morte. Apático.
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